quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

“Natal e Ano Novo! Agora a minha dieta vai por água abaixo.
No mês de outubro esta frase começa a ser ouvida por todos os lados. Aqueles que cuidaram (ou não) da alimentação durante o ano temem este período mais do que qualquer outra coisa. Escuto os argumentos, as ponderações, os temores e penso que tudo o que porventura tenha sido feito realmente está em risco. Entretanto, o risco não se deve às duas ceias e às dezenas de comemorações que ocorrem nesta época. O risco, em minha opinião, está no fato de que, se o indivíduo teme as festas é porque ele ainda não está preparado para lidar com elas.
Se uma pessoa realmente mudou a sua forma de se relacionar com a comida ela não precisa ter medo de festas, feriados, confraternizações, ceias, coquetéis, churrascos. Se uma pessoa realmente entendeu o que é se alimentar de forma moderada, não importa se está na Praia, no Interior, na China ou na França, ela saberá o que comer e quando parar.
É preciso entender que a atitude pacífica com relação ao alimento deve vir de dentro pra fora, suavemente até que se torne espontânea. Suave como um sopro ou uma brisa e não como um vento ou uma tempestade. Aos poucos de forma que vá se fortalecendo e que seja duradoura, que permaneça sem agredir, sem assustar, sem proibir e sem lamentar. Suave de maneira que você mesmo nem perceba que está mudando, como quem abre uma porta para não acordar alguém que cochila. Assim a atitude será sem esforço, sem sacrifício, sem demandas urgentes, sem prazos, sem promessas, como um amor maduro.
A época em que temos mais medo de engordar é justamente aquela em que mais fazemos promessas de emagrecer.
No ano que vem, eu vou fazer diferente...
Melhorar a alimentação e fazer mais atividade física provavelmente estão entre as principais mudanças que planejamos para o começo do ano. Isto talvez explique, em parte, a aflição que se abate sobre todos nesta reta final. O ano está terminando e as promessas não foram cumpridas. Para muitos elas não foram sequer iniciadas. Talvez o medo não seja de engordar nas festas e sim de não ter emagrecido antes delas. As festas representam apenas a “terceirização” da culpa: Eu emagreci sim, mas, as festas me engordaram. Funciona como se um anjo do mal descesse do céu (ou subisse do inferno) e tocasse a sua trombeta: Engordarás no Natal e no Ano Novo!
Todos nós sabemos que não funciona assim, porém, é difícil entender e assimilar como é que funciona. Levamos anos para ter o corpo que temos hoje e queremos que em alguns dias ou semanas ele seja outro. Levamos anos para pensar da maneira como pensamos hoje e queremos mudar esta forma de pensar da noite para o dia.
Quantas palavras, eventos, amores, desamores, alegrias, tristezas, realizações, decepções, anseios, angústias, expectativas e frustrações foram necessárias para que chegássemos ao que somos hoje? Para que comêssemos como comemos hoje?
Na receita do nosso comportamento alimentar e do nosso corpo os ingredientes são múltiplos e de uma hora para a outra queremos refazer esta delicada receita usando um só ingrediente e de preferência que ele seja mágico. Não damos o tempo que o corpo e o espírito precisam para preparar os ingredientes, descansar a massa, cozinhar o recheio, montar o prato, assar, deixar esfriar, separar as porções para finalmente servir uma pessoa renovada. Este processo leva tempo e o produto final importa menos do que o preparo lento e delicado.”


Vic Cheib

4 comentários:

Claudia Teixeira disse...

Vic,

Adorei !!!!

Isabel Correia disse...

Brilhante amiga. Totalmente, sem mudar sequer uma linha, eu compartilho. Por isso, vou compartilhar seus pensamentos para que mais possam lê-los. Beijos!

G.C.B.F.C. disse...

Realmente tudo depende de como você vê as coisas...
Instigante!!! Todos tivemos um professor que marcou nossas vidas e foi fundamental para sermos quem somos no mundo então... que bom que tive a Vick como professora.

rodrigo disse...

vi eu adoro o seu programa na itatiaia.nao consigo encontrar oa paços do 6 ao 15.obrigado.rodrigo s.